A história da deficiência no Brasil e no mundo, por muito tempo, foi estigmatizada e
excluída. Antes de conquistarem respeito e de fato serem inseridos na sociedade, os
deficientes eram considerados aberrações e muitas vezes os recém-nascidos eram
assassinados.
A deficiência foi, inicialmente, considerada um fenômeno metafísico, determinado
pela possessão demoníaca, ou pela escolha divina da pessoa para purgação dos pecados de
seus semelhantes. Por muito tempo, as pessoas com deficiência foram castigadas, torturadas e
até mortas. Com o passar do tempo, elas receberam dois tipos de tratamento: a rejeição e a
eliminação sumária de um lado, e a proteção assistencialista e piedosa, de outro. Com o
surgimento do Cristianismo houve uma mudança na forma pela qual as pessoas com
deficiência eram vistas e tratadas pela sociedade em geral, e elas passaram a ser acolhidas pela
Igreja.
Na Idade Média, entre os séculos V e XV, continuaram a existir, na maioria das vezes
controlados e mantidos por senhores feudais, locais para o atendimento de doentes e
deficientes. As referências históricas enfatizam, porém, o predomínio de concepções místicas,
mágicas e misteriosas sobre a população com deficiência, pois suas características eram
muitas vezes taxadas como “castigos de Deus”.
A partir do século XIX, de maneira tímida e esporádica, as pessoas com deficiência
começam a ser valorizadas como seres humanos. A assistência e a qualidade do tratamento
dado não só para as pessoas com deficiência, como para a população em geral, tiveram um
substancial avanço ao longo do século XX, com o avanço da medicina. Dessa forma, as
pessoas com deficiência começam a ter um tratamento de qualidade, dando uma atenção maior
as crianças. Começam então o desenvolvimento de programas de reabilitação específicos.
Hoje, existem exemplos de discriminação e/ou maus tratos, mas o amadurecimento das
civilizações e o avanço dos temas ligados à cidadania e aos direitos humanos provocaram, sem
dúvida, um novo olhar em relação às pessoas com deficiência.
Em nosso país, as lutas do Padre Anchieta promoveram uma nova visão frente as
deficiências, que passaram a ser tratadas de maneira científica. Em meados de 1941, D. Pedro
II construiu um hospital e organizações que acolhessem e beneficiassem as pessoas com
deficiência.
Com o passar do tempo e principalmente com o grande número de inválidos deixados
pela Primeira Guerra Mundial, aumentou o número de instituições responsáveis pelo cuidado
às pessoas com deficiência. Em prol desta clientela, a ONU, em 1981 determinou que este ano
seria o “Ano Internacional das Pessoas Deficientes” procurando conscientizar a população e
discutir propostas de reabilitação, tratamento, educação e profissionalização.

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